“O meu pai diz que faço tudo mal”

A frase ecoa na minha cabeça há já alguns dias: “O meu pai diz que faço tudo mal”. Ouvi-a no metro, da boca de um menino que não devia ter mais de 7 anos. Falava com uma menina da mesma idade e disse-o com uma expressão triste, cabisbaixo.


Apeteceu-me confortá-lo, dar-lhe um abraço e uma palavra de estímulo.

Como dizia Rudolf Dreikurs, famoso psiquiatra educador que inspirou o modelo educativo da Disciplina Positiva, “um joelho magoado pode curar-se, mas a autoestima ferida pode durar para a toda a vida”. Pois é.


Enquanto formador de Disciplina Positiva tenho contactado, tanto nos workshops como nas sessões de coaching parental, com pais e mães cujos filhos apresentam uma baixa auto-estima. Crianças que acham que não são capazes, por isso convencem quem os rodeia a não esperarem nada deles. Sentem-se muitas vezes inúteis, que não vale a pena tentar pois não farão nada bem.


Ajudar estas crianças (e os pais) a dar a volta ao problema não é um trabalho fácil. Exige tempo, paciência, coerência e muito reforço positivo. Mas os resultados têm sido animadores.

O sentimento de pertença

Todas as crianças precisam de se sentir importantes. E que pertencem (à sua família, escola, grupo desportivo, etc.). Para atingirem esse objetivo, optam muitas vezes pelo “mau” comportamento, que tem sempre por detrás uma mensagem que estão a querer passar.


De acordo com a Tabela das Metas Erradas, uma das principais “ferramentas” de Disciplina Positiva, a mensagem tácita que uma criança com baixa autoestima nos quer passar, com o seu “mau” comportamento, é esta: Não te dês por vencido comigo. Não desistas. Mostra-me um pequeno passo que eu possa seguir.


A chave para descodificar essa mensagem é a forma como nós, pais e educadores, nos sentimos perante esse comportamento. Depois há um caminho a percorrer, que desagua na aplicação de respostas produtivas e estimulantes. E quais são essas respostas?


Aqui ficam algumas, de acordo a Tabela das Metas Equivocadas da Disciplina Positiva:

1 – Ofereça pequenos passos

2 – Evite todo o tipo de crítica

3 – Anime em qualquer tentativa positiva

4 – Confie nas habilidades da criança

5 – Foque-se no que ela faz bem

6 – Não tenha pena

7 – Não se renda

8 – Crie ocasiões para que ela tenha êxito

9 – Ensine-lhe habilidades/como fazê-lo mas não o faça por ela

10 – Disfrute da companhia dela

11 – Anime, anime, anime

12 – Faça reuniões familiares/turma








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